Se coçando...
Meu pai às vezes se coça. E o faz com força.
Percebi e mantenho suas unhas bem cortadas.
Fotografei as marcas que tem pelo corpo. Até no final da coluna, logo acima do short ele tem marca dessas coceiras. Verdadeiras estrias.
O médico disse que pode ser falta de hidratação... Então, creminho depois do banho diariamente.
Faço parte de um grupo no Whatsapp, de pessoas que tem parentes com Alzheimer. Chamam DA Doença de Alzheimer. Lá também estão alguns profissionais da saúde: terapeuta, enfermeira, advogada, clínico geral, fisioterapeuta, cuidadores, psicólogos... todos nos ajudando a entender esse contexto. As fases da doença... Essa doença que afeta a pessoa e sua família.
A cuidadora atual é competente. Conversa, estimula exercícios mentais e físicos.
Mas só está presente 3 dias na semana e eu, sozinha para os cuidados com meu pai, nos outros 4 dias. Sempre pensando no bem estar dele.
Questões diversas me assaltaram: que médico será o certo para acompanhá-lo? como conviver com alguém, que sendo meu pai, precisa ser tratado com firmeza e pega fezes com as mãos ou se coça até ferir a pele, derrama o suco na comida, fica horas arrumando a cama ou a sala, fechando cortinas, escondendo chinelo, chaves, controle remoto, que fala com estranhos passando na rua, que acha que sou sua esposa, que não se concentra em nada por muito tempo? Como fazer quando ele está nervoso ou inquieto? Como estimular sua mente? Quais os melhores medicamentos para melhorar ou preservar a cognição? Qual meu limite em relação a tudo isso?
No momento, agradeço a Deus todos os dias porque ele ainda anda, tem apetite e come sozinho, lê um pouco a Bíblia (quando usa óculos), gosta de música na TV ou no rádio, adora passear de carro e interagir com pessoas...Normalmente, deita 20h e acorda às 7, com uma ou duas idas a banheiro.
No grupo aprendi que virão outras fases, que o avanço pode ser lento e, do nada, progredir muito.
Que certas fases serão de total dependência de cuidados. Futuro incerto... mas viver um dia de cada vez!
